Mais um ano se passou…

Publicado: 29/ dezembro/ 2011 em Comportamento

Tempo de renovação. Assim inicia todo novo ano. Assim nos inspiramos (ou tentamos) para percorrer os próximos doze meses.

No meu caso sempre ocorreu o mesmo, mas agora o tempo tá pesando. Noutros tempos quando completar mais um ano era motivo de festa, pois abria novas possibilidades, agora tem outro significado. O tempo agora empurra para a velhice mesmo. Avião!

Agora vejo se revelando a chegada do cinquentenário. É bem verdade que “ainda” faltam alguns poucos anos. Mas começar a pensar que estou chegando a meio século causa um certo arrepio. Sei lá.

A verdade é que não sinto o tempo passar. Só um fato (irrefutável) deixa essa coisa evidente: é a própria contagem do tempo.

Completar cada ano de vida próximo do final de ano, evidencia agora um certo pesar. Mas preciso continuar me renovando. Creio que seja essa a diferença entre ser e sentir-se velho.

Eu sempre soube viver com fé e alegria no futuro. Sei lá, acho que isso acabou por ser o meu segredo de jovialidade.

Futebol brasileiro melhor do mundo

Publicado: 21/ dezembro/ 2011 em Esporte

Quando se trata de imprensa esportiva têm muitos comentaristas que falam com uma soberba daquelas e adoram elevar ao Olimpo tudo que vem de fora.

Depois da vitória incontestável do Barcelona sobre o Santos, muitas discussões com teorias alarmistas e premonitórias inundam os programas de esporte. Ontem (21/12), o espectador da ESPN foi obrigado a ouvir uma dessas.

Um jornalista tascou que há muito tempo o futebol brasileiro não é o melhor do mundo, mas nós brasileiros iludidos continuamos a acreditar que sim. E blá blá blá.

Mas o futebol daqui não é mesmo o melhor? Se considerarmos fora das quatro linhas, não há dúvida de que nunca foi e muito provavelmente ainda vamos ouvir muitas histórias demonstrando o  amadorismo que impera nos clubes e federações do Brasil.

Mas e dentro do campo, existe melhor futebol que o do Brasil? Não há!

Imaginemos se nossos jogadores não precisassem recorrer ao futebol europeu para conquistar a tão sonhada “independência financeira” e permanecessem jogando aqui, nos respectivos clubes de origem. Ou mesmo em outro clube desde que aqui, em terras tupiniquins.

O Barcelona, dizem, inspirou-se no Carrossel Holandês de 74 e no futebol envolvente da Seleção  Brasileira da Copa de 82 e há anos vem jogando com um futebol cadenciado de toque de bola, sem pressa, ocupando cada espaço do campo.

Bem, mas continuemos a falar da hipótese de que nossos jogadores não precisassem sair daqui. Um Flamengo que pudesse manter Zico, Junior, Bebeto. Um Internacional com Falcão e  Batista. Um Vasco da Gama com Roberto Dinamite e outros. Atlético Mineiro com Toninho Cerezzo. Guarani (isso mesmo) com Júlio César, Careca.

Mais recentemente, um São Paulo com Kaká, Luis Fabiano (sim, ele saiu e agora voltou). Santos de Robinho, Diego. Grêmio com Anderson.

Quantos títulos pela Libertadores da América e mesmo mundiais, nossos clubes brasileiros não teriam ganhado caso conseguissem manter seus elencos por mais tempo e que não fossem desmontados desgraçadamente pelo interesse nos caminhões de dinheiro vindos de outros continentes? E Copas do Mundo? Não teríamos melhor sorte caso mantivéssemos aqui  nossas estrelas?

Ao longo dos anos, após a década de 80, muitos de nossos jogadores foram saindo sem que nossas equipes se renovassem a tempo. É o chamado mercado da bola que fez do Brasil apenas coadjuvante nos interesses futebolísticos, ante a força dos países ricos. Mas nem por isso foram surgindo, aos montes, jogadores diferenciados.

O Barcelona é endeusado por conseguir manter um conceito, uma filosofia que declaram jamais permitir que mudem, porque mostrou-se vencedora. Mas não podemos deixar de lembrar que tal conceito só é possível graças aos talentos internacionais, ou seja, com jogadores espanhóis apenas isto seria quase que impossível, pelo menos por um tempo.

Alguém aí consegue imaginar um Barcelona atual, dessa magnitude,  sem jogadores  como um Messi, Adriano, Daniel Alves ou Abidal?  E em tempos não tão remotos, alguém imagina um Barcelona sem os internacionais Ronaldo (fenômeno), Ronaldinho Gaúcho, Romário, Ibrainmovick?

Façamos justiça. O que seria do futebol italiano sem a histórica passagem de Maradona pelo Nápoli, dos fantásticos jogadores holandeses e africanos?

Mas é o Brasil quem mais exporta. O que seria do futebol espanhol, italiano, japonês, russo, turco, sem os jogadores brasileiros? Seriam campeonatos sem graça. Alguém tem dúvida?

Com a passagem do Dr. Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira - sim, este é o seu nome completo – imediatamente sua história de vida toma dimensão ainda maior. E peço perdão pela redundância para dizer que é essa a diferença de quem faz a diferença.

Sócrates não foi “apenas” um  jogador de futebol. Foi um grande jogador e não somente isso.

Dr. Sócrates, todos sabem, era jogador dos melhores, médico e ativista político. Suas opiniões nunca  refletiam o lugar comum.

Disse o jornalista Flávio Prado quando da notícia do falecimento do “Doutor da bola”: “Perdi a minha melhor entrevista”.

Para esse homem simples, porém nada simplista, todo destaque que obteve não lhe aguçava a vaidade. Aliás, seu sucesso só serviu para que pudéssemos dar um valor, manifestada por nossa prepotência que nos faz acreditar que a chancela do sucesso de alguém é dada por nós. Mais um dos reflexos tão comuns do culto às celebridades.

Sobre seus hábitos particulares, não fosse a grandeza com que adornou sua carreira futebolística, assim como seu ingresso na medicina e atuação “política”, hoje estaríamos lamentando a passagem de um craque que optou por viver livremente, mesmo que isso significasse colocar em risco a saúde. E estaríamos aqui fazendo críticas e mais críticas.

Muitos craques são e serão lembrados “apenas” pela saudade daquilo que fizeram dentro das quatro linhas. Em se tratando de Dr. Sócrates, único jogador que levava doutor no nome, felizmente será muito diferente.

Chuva

Publicado: 31/ agosto/ 2011 em Trivialidades

A Chuva cai.

O tempo está ruim?

Pergunte então ás plantas que exibem agora cor exuberante.

Pergunte então aos teus pulmões que agora aspiram ar puro.

Pergunte ao meu carro que exibia sujeira há três semanas porque me falta grana para lavá-lo.

E pior é que é verdade.

É Fantásticooo!!!

Publicado: 29/ agosto/ 2011 em Sociedade

No Fantástico três momentos emblemáticos do retrato de um Brasil desigual:
Sócrates tem alta do hospital A. Einstein. Entrou quase morto com cirrose e equipe médica qualificadíssima o salva.
Técnico Ricardo Gomes entra quase morto no hospital após grave AVC, sofre cirurgia por equipe médica qualificadíssima. Sob controle…
Grávidas entram vivinhas em hospitais públicos mas, por vergonhosa falta de estrutura, saem mortas por atendimento inadequado.
É FANTÁSTICO! É BRASIL!

Seleção: cai mais uma teoria

Publicado: 18/ julho/ 2011 em Esporte

E mesmo com Ganso, Neymar, Pato e cia., nossa Seleção foi eliminada na Copa América.

Será que os experts em teoria futebolística admitirão que nem sempre as melhores teorias são provadas satisfatoriamente. Penso agora no sorriso de canto de boca de Dunga.

ECA – Desafios da maioridade

Publicado: 14/ julho/ 2011 em Sociedade

Completar 21 anos era antes motivo de festa, já que atingir essa idade representava adentrar à maioridade, época revestida pela esperança de novas perspectivas. Infelizmente não é o que ocorre com o Estatuto da Criança e do Adolescente que entrou em vigor em 13 de julho de 1990 e completa a sua “maioridade”.

Há muitos pontos positivos no Estatuto, mas a trajetória de duas décadas desse importante instrumento de defesa e proteção do jovem têm sido manchada por alguns desenganos, fruto da confusão, dentre outras coisas, de preservar direitos mas acabar por praticar a impunidade.

Não podemos descartar, no entanto, o período necessário de ajustes e aperfeiçoamento para que o Estatuto pudesse ser implantado de modo satisfatório.

Embora esse processo assimilatório seja natural, quanto mais o tempo passa a evidência de que o Estatuto seja ainda um instrumento que não consegue evitar de forma eficaz a crescente violência aos jovens, é notória. Soma-se a isso o fato de deixar a desejar quanto ao seu papel disciplinatório aos jovens infratores, resultado muitas vezes da inefeciência das instituições.

A violência aos jovens toma ares desesperadores, como os já citados por mim no texto do dia anterior.

Quando instituições de proteção, reeducação e principalmente a familiar tornam-se ameaças à segurança de nossos jovens, realmente algo por demais preocupante coloca em xeque nossa conduta como seres humanos. Não há como tolerar.

De uma forma ou outra o Estatuto existe, apenas precisamos torná-lo eficaz.

Salvemos nossas crianças!

Publicado: 12/ julho/ 2011 em Sociedade

Pelé, ao despedir-se do futebol, emocionado, clamou para que cuidássemos de nossas crianças. Já se foram 40 anos.

Mas Pelé preocupava-se basicamente com a justiça social. Seu olhar mirava o futuro de crianças mal assistidas e abandonadas. Que em condições melhores pudessem crescer e, assim, tornarem-se grandes homens e mulheres.

O que talvez Pelé jamais pudesse imaginar é que em pleno século 21 estivéssemos assassinando crianças ao invés de proporcionar-lhes um mundo muito mais justo. Perto da crueldade a que estamos vivenciando hoje, o pedido de Pelé soa ingênuo.

Semana passada, no Rio de Janeiro, foi desvendado o “mistério” da morte do pequeno Juan, morto por políciais. Ontem (11/07), em Sorocaba, duas meninas foram brutalmente assassinadas a facadas dentro de casa, no quarto de uma delas. Nem se sabe quem é o assassino.

Bebês são deixados nas ruas. As “mães” nem sequer poupam os indefesos do frio rigoroso ou do perigo de serem esmagados pelas prensas dos caminhões de lixos, pois são colocados em caçambas ou em lugares extremamente gelados.

O que é mais estarrecedor é ver que a violência vem, muitas vezes, de onde nunca poderíamos imaginar: dos próprios pais e parentes próximos. Sem citar vizinhos próximos que somem com crianças da redondeza.

Caro leitor, se você não está atento ao quadro horrendo que estamos pintando é hora de enxergar.

Estamos todos com as mãos manchadas de sangue de crianças indefesas!

Nós, seres humanos, temos participação direta nos acontecimentos que assolam o planeta Terra, tanto para o bem como para o mal. A “fúria da natureza”, como pautou dia desses um telejornal da Rede Globo, tem um inimigo, somos nós mesmos.
Estudo recente da ONU mostra um processo contínuo de alterações que vem sofrendo o planeta Terra. Acontecimentos como: Derretimento da calota polar, das geleiras no Alasca, no Peru, na Patagônia, redução da população de pingüins na Antártida, florescimento precoce de plantas no hemisfério Norte, aves migratórias chegando mais cedo na região; isso para citar alguns, são exemplos do caos em que estamos mergulhando e levando conosco todas as espécies animais e vegetais deste rico planeta.
Uma analogia interessante é o processo no qual nos submetem as células cancerígenas que podem nos levar à morte. Não seríamos, muitos de nós, células cancerígenas enquanto nos comportamos de forma repugnante no trato ao meio ambiente? A gama de agentes negativos neste processo degradante é enorme: governos, empresas de extração de madeiras e minérios, indústrias que vomitam poluentes na atmosfera e todos aqueles que jogam o seu lixinho em qualquer lugar como nos rios.
Há um ditado de tribo indígena chamada Maué que diz: “Quem mata a floresta, mata a casa da vida”. Somente um ser desprovido de sanidade poderia ser tão inconseqüente, pois estará destruindo a si próprio. E nós somos assim.

Esho Funi e origem dependente

Dentre os princípios budistas, aquele denominado Esho Funi (Inseparabilidade da Vida e o Ambiente) é um tema interessante para este momento, na medida em que observamos manifestações preocupadas acerca do assunto meio ambiente.
Outro princípio budista adequado é o da origem dependente que descreve a interligação e a interdependência de toda vida continuamente pelo passado, presente e futuro. Somos levados a compreender que é impossível construir a prosperidade eterna sobre o sofrimento dos outros.
Todos os fenômenos do universo existem dentro do contexto dos relacionamentos mutuamente sustentadores. Dessa perspectiva, nada existe sem significado e nada é desperdiçado. Entrelaçando esses “fios” de interdependência, o universo produziu e nutriu a vida, incluindo a vida humana neste planeta.
Estabelecer essa compreensão é, portanto, fundamental por uma série de razões, a principal é o respeito à vida como um todo. Definitivamente precisamos compreender que não estamos acima, mas nos inter-relacionamos dentro de uma natureza complexa.

“A Humanização da Religião a Serviço da Paz” é o título da Proposta de Paz 2008 de Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional.
Anualmente, desde 1975, Ikeda envia à ONU sua proposta com o objetivo de contribuir para um mundo mais humano, mais digno.
No próximo post estarei apresentando o conteúdo da proposta.
Aguardem!