Quando se trata de imprensa esportiva têm muitos comentaristas que falam com uma soberba daquelas e adoram elevar ao Olimpo tudo que vem de fora.
Depois da vitória incontestável do Barcelona sobre o Santos, muitas discussões com teorias alarmistas e premonitórias inundam os programas de esporte. Ontem (21/12), o espectador da ESPN foi obrigado a ouvir uma dessas.
Um jornalista tascou que há muito tempo o futebol brasileiro não é o melhor do mundo, mas nós brasileiros iludidos continuamos a acreditar que sim. E blá blá blá.
Mas o futebol daqui não é mesmo o melhor? Se considerarmos fora das quatro linhas, não há dúvida de que nunca foi e muito provavelmente ainda vamos ouvir muitas histórias demonstrando o amadorismo que impera nos clubes e federações do Brasil.
Mas e dentro do campo, existe melhor futebol que o do Brasil? Não há!
Imaginemos se nossos jogadores não precisassem recorrer ao futebol europeu para conquistar a tão sonhada “independência financeira” e permanecessem jogando aqui, nos respectivos clubes de origem. Ou mesmo em outro clube desde que aqui, em terras tupiniquins.
O Barcelona, dizem, inspirou-se no Carrossel Holandês de 74 e no futebol envolvente da Seleção Brasileira da Copa de 82 e há anos vem jogando com um futebol cadenciado de toque de bola, sem pressa, ocupando cada espaço do campo.
Bem, mas continuemos a falar da hipótese de que nossos jogadores não precisassem sair daqui. Um Flamengo que pudesse manter Zico, Junior, Bebeto. Um Internacional com Falcão e Batista. Um Vasco da Gama com Roberto Dinamite e outros. Atlético Mineiro com Toninho Cerezzo. Guarani (isso mesmo) com Júlio César, Careca.
Mais recentemente, um São Paulo com Kaká, Luis Fabiano (sim, ele saiu e agora voltou). Santos de Robinho, Diego. Grêmio com Anderson.
Quantos títulos pela Libertadores da América e mesmo mundiais, nossos clubes brasileiros não teriam ganhado caso conseguissem manter seus elencos por mais tempo e que não fossem desmontados desgraçadamente pelo interesse nos caminhões de dinheiro vindos de outros continentes? E Copas do Mundo? Não teríamos melhor sorte caso mantivéssemos aqui nossas estrelas?
Ao longo dos anos, após a década de 80, muitos de nossos jogadores foram saindo sem que nossas equipes se renovassem a tempo. É o chamado mercado da bola que fez do Brasil apenas coadjuvante nos interesses futebolísticos, ante a força dos países ricos. Mas nem por isso foram surgindo, aos montes, jogadores diferenciados.
O Barcelona é endeusado por conseguir manter um conceito, uma filosofia que declaram jamais permitir que mudem, porque mostrou-se vencedora. Mas não podemos deixar de lembrar que tal conceito só é possível graças aos talentos internacionais, ou seja, com jogadores espanhóis apenas isto seria quase que impossível, pelo menos por um tempo.
Alguém aí consegue imaginar um Barcelona atual, dessa magnitude, sem jogadores como um Messi, Adriano, Daniel Alves ou Abidal? E em tempos não tão remotos, alguém imagina um Barcelona sem os internacionais Ronaldo (fenômeno), Ronaldinho Gaúcho, Romário, Ibrainmovick?
Façamos justiça. O que seria do futebol italiano sem a histórica passagem de Maradona pelo Nápoli, dos fantásticos jogadores holandeses e africanos?
Mas é o Brasil quem mais exporta. O que seria do futebol espanhol, italiano, japonês, russo, turco, sem os jogadores brasileiros? Seriam campeonatos sem graça. Alguém tem dúvida?