Com a passagem do Dr. Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira - sim, este é o seu nome completo – imediatamente sua história de vida toma dimensão ainda maior. E peço perdão pela redundância para dizer que é essa a diferença de quem faz a diferença.
Sócrates não foi “apenas” um jogador de futebol. Foi um grande jogador e não somente isso.
Dr. Sócrates, todos sabem, era jogador dos melhores, médico e ativista político. Suas opiniões nunca refletiam o lugar comum.
Disse o jornalista Flávio Prado quando da notícia do falecimento do “Doutor da bola”: “Perdi a minha melhor entrevista”.
Para esse homem simples, porém nada simplista, todo destaque que obteve não lhe aguçava a vaidade. Aliás, seu sucesso só serviu para que pudéssemos dar um valor, manifestada por nossa prepotência que nos faz acreditar que a chancela do sucesso de alguém é dada por nós. Mais um dos reflexos tão comuns do culto às celebridades.
Sobre seus hábitos particulares, não fosse a grandeza com que adornou sua carreira futebolística, assim como seu ingresso na medicina e atuação “política”, hoje estaríamos lamentando a passagem de um craque que optou por viver livremente, mesmo que isso significasse colocar em risco a saúde. E estaríamos aqui fazendo críticas e mais críticas.
Muitos craques são e serão lembrados “apenas” pela saudade daquilo que fizeram dentro das quatro linhas. Em se tratando de Dr. Sócrates, único jogador que levava doutor no nome, felizmente será muito diferente.
